
Imagens: Phillips | Reprodução
Você conhece a cena. O vendedor da boutique te chama pelo nome, oferece um café, pergunta da família. Só não vende o relógio que você pediu há dois anos, porque “a lista está longa”. Em Genebra, no mesmo fim de semana do GP de Interlagos, acontece o contrário.
A Phillips coloca 220 relógios no salão do Hôtel Président Wilson, abre as portas de 4 a 7 de novembro para quem quiser ver as peças na mão, e no sábado e no domingo o martelo bate para quem der o lance. Ninguém pergunta há quanto tempo você compra.
O que está na mesa
O lote principal é um Patek Philippe 1436 em aço, de 1945, um dos dois únicos conhecidos com caixa e mostrador originais, estimado entre CHF 2 e 4 milhões, algo como US$ 2,5 a 4,9 milhões.
Ao lado, um Rolex 6062 “Stelline” em ouro amarelo, de cerca de 1952, que passou mais de sete décadas com o primeiro dono, no Japão, e um Daytona “John Player Special” com pulseira que a Phillips atribuiu à Van Cleef & Arpels.
Os lotes menos óbvios também são interessantes. Dois F.P. Journe foram feitos para os clientes de uma única loja: um em titânio, para o segundo aniversário da boutique de Tóquio, edição de 12 peças, e outro em platina para a Les Ambassadeurs, de que só dois exemplares foram entregues.
E o Patek 2497 em ouro amarelo, de 1953, é o único conhecido com a assinatura da Gumbiner, uma joalheria de Manhattan, no mostrador. Setenta anos depois, o que mais valoriza o relógio é o nome da loja que recebeu bem o cliente.
Por que o martelo está tão alto
Em maio, nesse mesmo hotel, a Phillips fez o maior leilão de relógios com fins lucrativos da história: US$ 96,3 milhões em dois dias, 224 de 225 peças vendidas, mais de 1.815 inscritos de 74 países.
Em novembro passado, um Patek 1518 em aço levou cerca de dez minutos para sair por US$ 17,6 milhões, recorde para um Patek vintage de pulso. Menos de um ano depois, a Rolex fez o primeiro leilão beneficente de sua história e arrecadou US$ 49 milhões numa noite.
O detalhe que ninguém conta na boutique
Enquanto os leilões batem recorde, o mercado de usados anda de lado. Menos na Private, porque aqui a pegada é outra.
Em maio, enquanto 43 relógios batiam recorde de preço em Genebra, o índice de preços dos usados caiu 1,4%. E a Rolex nunca teve tanta oferta no mercado de segunda mão quanto no último trimestre. O dinheiro não está fugindo de relógio. Está fugindo de relógio igual. Lista de espera é para a peça que existe aos milhares. Leilão é para a que só existe uma.
Da próxima vez que o vendedor da boutique perguntar da família, pergunte de volta quantas pessoas estão na sua frente.
