
Imagem: Phillips / Reprodução
Em 28 de setembro, a Phillips, tradicional casa de leilões de Londres, leiloou quatro Cosmograph Daytona feitos para a ocasião, cada um inspirado em uma estação do ano.
Segundo a plataforma de relojoaria Hodinkee, o plano da Rolex era vender os quatro como um conjunto, em negociação privada, por cerca de US$ 5 milhões.
Mas quando a marca mostrou os relógios a alguns clientes VIP em abril, mais de mil quiseram comprar. Em vez de oferecer todos a um só, a Rolex decidiu dividir em quatro lotes e fazer o primeiro leilão beneficente de sua história.
Primavera (US$ 9M): ouro branco, mostrador de crisoprásio, contadores de lepidolita e safiras roxas no bezel.
Verão (US$ 13,7M): ouro Everose, mostrador de turquesa, contadores de rubi e safiras rosa no bezel.
Outono (US$ 13,5M): ouro amarelo, mostrador de mookaite, contadores de crisoprásio e turmalinas verdes no bezel.
Inverno (US$ 13,2M): platina, mostrador de opala azul, contadores de lápis-lazúli e safiras do azul ao fúcsia no bezel.
O resultado foi de US$ 49,4 milhões, 10x mais do que o esperado inicialmente. Esse valor todo foi doado para a fundação do Roger Federer e para a Re:wild, de Leonardo DiCaprio, cerca de US$ 24,7 milhões para cada uma. E é aqui que entra a parte mais interessante dessa história…
Quem é a dona da Rolex
Hans Wilsdorf abriu a empresa em Londres, em 1905, e mudou para Genebra em 1919 por causa dos impostos ingleses sobre ouro e prata. Em 1944, sua mulher morreu. Eles não tinham filhos. No ano seguinte, Wilsdorf criou a Fundação Hans Wilsdorf, e quando ele morreu, em 1960, todas as ações da Rolex foram para ela.
Desde então, a maior marca de relógios do mundo pertence a uma fundação de utilidade pública de Genebra. Não tem acionista. A empresa nunca divulgou o faturamento, mas as estimativas são na casa dos US$ 14 bilhões por ano. O lucro que sobra, depois de reinvestir na fábrica, vai para a fundação, que financia arte, pesquisa e projetos sociais.
Ao contrário do que muita gente pensa, isso não é uma questão de planejamento tributário. A Rolex paga imposto como qualquer empresa, e a fundação, que teria direito à isenção, abriu mão dela em 2020 e hoje recolhe mais de US$ 90 milhões por ano.
Os oito conselheiros são bem pagos, mas só um deles é parente distante de Wilsdorf, e a lei suíça proíbe desde 2006 que a família receba qualquer coisa. A fundação distribui mais de US$ 600 milhões por ano, que viram bolsa de estudo, hospital e cinema restaurado em Genebra.
Se você tem um Daytona no cofre, infelizmente esses preços não mudam nada no valor da sua peça. Ela continua valendo o que valia na semana passada. Mas pensa pelo lado bom: ele continua sendo um Daytona.

