
Imagens: Tuju / Blend2
Se você procura um lugar para um date com a sua esposa, ou para jantar e ter uma bela conversa entre amigos, o Tuju pode ser uma opção. Mas será que vale a pena? Fomos lá para descobrir. Antes de contar como foi, vale entender o peso das três estrelas Michelin que a casa carrega.
O mundo tem cerca de 161 restaurantes com 3 estrelas Michelin. A França tem 30, Tóquio sozinha tem 11. O Brasil tem dois. Ambos em São Paulo.
Mas o que essas estrelas significam?
Estar no Guia Michelin é ser recomendado. Ter estrela é passar pelo crivo de diferentes inspetores que vão ao restaurante como anônimos e pagam a conta normalmente.
Eles avaliam a comida por cinco critérios: qualidade dos ingredientes, domínio das técnicas, harmonia dos sabores, personalidade do chef expressa na cozinha e consistência ao longo do menu e entre diferentes visitas.
É isso que cada nível significa:
⭐ Cozinha de alta qualidade, "vale a parada"
⭐⭐ Cozinha excelente, "vale o desvio"
⭐⭐⭐ Cozinha excepcional, "vale uma viagem especial"
A experiência começa antes de você chegar
Antes do mundo físico, o Tuju já começa sofisticado no WhatsApp: "Olá, eu sou o fulano e serei seu anfitrião da noite. Algum pedido especial?". Anfitrião. A palavra pega. Na mesma conversa, já recomendam vir sem perfume forte, pois a cozinha é aberta.
Já na entrada, o logo do Tuju com as três estrelas Michelin logo abaixo. Aquela carteirada sutil, sem dizer nada. É aí que começa a experiência, dividida nos três andares:
Térreo
Um corredor de entrada que parece te espremer para te preparar para um pé-direito triplo. Antes dele, uma recepção que trata você pelo nome e um som ambiente bem brasileiro, com elementos de várias regiões do país.
Você senta no bistrô, observa a arquitetura e o verde invadindo aquele espaço, e sente a potência de tudo o que forma aquele lugar. A empolgação do que está por vir toma conta. É ali, com um drink e uns aperitivos, que o paladar começa a ser preparado.
Primeiro andar
Assim que a porta abre, a gente avistou o chef Ivan Ralston, como um maestro de orquestra regendo seus músicos. E eles, em silêncio, executando as partituras que estavam nas mesas: os pratos de cada cliente.
A cozinha tem três estações, e as mesas ficam ao redor delas. Não tem música ambiente. O som é só o fogo, a grelha, os pratos e as pinças ajeitando a comida. Você aprecia a comida sendo feita e a presença da sua companhia. Ninguém na cozinha troca uma palavra, e é ali que os 10 tempos do menu acontecem, com os dois últimos doces.
Rooftop
O jantar fecha lá em cima, com guloseimas da casa, um chá e a conta, bem afastado do primeiro andar, quase um ato de "aqui é só arte, não falamos de valor". No primeiro andar o time de serviço antecipa tudo, e quando você chega ao rooftop, ter que acenar para pedir mais um bombom parece até estranho. É esse o padrão a que a casa te acostuma em poucas horas.
Um ponto alto do Tuju é descobrir coisas do Brasil que você nem sonhava. O azeite é um dos melhores do mundo, os ingredientes são todos sazonais, e tem uma água com gás que a gente não sabia que existia. Os dois, brasileiros.
Sobre as bebidas, tem duas adegas incríveis, mas nossa escolha foram os drinks. De tão equilibrados, nada te agride, só te convida para o próximo.
Para quem é
Se você ama a excelência e gosta do 100% feito à mão, vale a pena ir em casal, com certeza. Dois casais, ótima opção. Até seis pessoas funciona, mas quatro é o número ideal, para que ninguém fique de costas para a orquestra. Óbvio que não é lugar para paladar infantil nem para quem quer jantar em uma hora.
O veredito
Ficamos 2h30 e o tempo passou sem a gente perceber. A equipe é quase toda bilíngue, coisa rara em São Paulo, e tem bastante gringo comendo lá.
As três estrelas dizem "vale uma viagem especial". A nossa resposta é que vale a viagem. Para desligar da semana a dois, não é exagero dizer que está entre as melhores opções do Brasil.
A arquitetura é encantadora, a playlist é boa e toda a equipe é atenciosa, focada no cliente. Todas as mesas são redondas, um convite à conversa. Em uma mesa de casal, deixam só as duas cadeiras, com um banquinho para a mulher apoiar a bolsa. Tudo feito para você.
Voltaríamos por tudo, só para viver aquele momento de novo. E sobre a comida, não tem nem o que descrever. As três estrelas já dizem tudo. O Tuju não é hype, é conceito. O mais alto nível da hospitalidade.
📍 Rua Frei Galvão, 135, Jardim Paulistano
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