
Imagens: Getty Images | Reprodução
O termo “blue zone” nasceu de uma caneta. Dois demógrafos, estudando uma região montanhosa da Sardenha com até dez vezes mais centenários que os Estados Unidos, circulavam os vilarejos no mapa com tinta azul.
O escritor Dan Buettner, com apoio da National Geographic e do Instituto Nacional de Envelhecimento dos EUA, levou a busca para o mundo e chegou a cinco regiões. São elas:
🇮🇹 Sardenha, na Itália;
🇯🇵 Okinawa, no Japão, onde vivem as mulheres mais longevas do planeta;
🇨🇷 Península de Nicoya, na Costa Rica;
🇬🇷 Icária, na Grécia, a ilha onde a dieta mediterrânea é seguida à risca; e
🇺🇸 Loma Linda, na Califórnia, uma comunidade adventista que vive uma década a mais que o americano médio.
A história das cinco virou até uma minissérie na Netflix, chamada “Como Viver até os 100: Os Segredos das Zonas Azuis.
O que elas têm em comum
Um estudo com gêmeos dinamarqueses mostrou que só 20% da longevidade vem dos genes. O resto é ambiente e hábito. Esses cinco lugares compartilham nove padrões, que ficaram conhecidos como Power 9.
Ninguém corre maratona. O corpo se mexe o dia inteiro porque o terreno é íngreme, a horta fica atrás da casa e a padaria fica a uma caminhada. A comida é quase toda de planta, com feijão, grão e vegetal no centro do prato. Em Okinawa, a regra é parar de comer com 80% da fome saciada, o hara hachi bu. Há vinho na mesa, em todas menos em Loma Linda. E há pausa, de verdade. Os adventistas da Califórnia param 24 horas por semana. Em Icária, na Grécia, dorme-se depois do almoço.
O resto é quem está com você. Família perto, amigos de uma vida inteira e um motivo para levantar da cama, o ikigai dos japoneses. Quem consegue dizer qual é o seu propósito vive até sete anos a mais.
O que só se vive indo lá
Dá para ler sobre Icária. O que não dá é entender, de longe, por que um almoço de quatro horas numa taverna de montanha não parece perda de tempo. Ou por que um vilarejo da Sardenha muda o seu jeito de olhar para a própria rotina depois que você vê um pastor de 95 anos subindo a encosta com as cabras.
Essas regiões ficam em lugares afastados, e esse é o ponto. Mar de um lado, serra do outro, estrada ruim e nenhuma pressa. Uma semana ali ensina o corpo a andar devagar, comer com atenção e dormir cedo. É o tipo de lição que a cabeça traz de volta para São Paulo sem nem perceber.
Curadoria do Diego
Você não precisa pegar seu passaporte para viver uma semana de blue zone. O Brasil não tem nenhuma das cinco regiões, mas tem lugares que entregam a mesma receita, natureza perto, comida de verdade, exercício todo dia e gente que ainda conversa olhando para você.
Cinco dias num deles e você volta para São Paulo com a sensação de que ganhou uns anos de volta. Esses três lugares valem a escapada da rotina:

Foto: G1
01 • UXUA Casa Hotel & Spa, em Trancoso (Bahia)
Minha primeira escolha. O que me ganha é a combinação de hospitalidade, cultura local, comida, natureza e comunidade no mesmo lugar. O hotel trabalha com artesãos e produtores da região e tem experiências ligadas à biodiversidade baiana. Você sai de lá conhecendo gente, não só paisagem.
O que devolve: pertencimento e conexão humana.

Foto: NANAI
02 • NANNAI Milagres, em São Miguel dos Milagres (Alagoas)
Minha escolha para desacelerar à beira-mar. Praias quase vazias, piscinas naturais, gastronomia regional e uma arquitetura que some na paisagem. O dia é caminhar na areia, comer o que o litoral alagoano oferece e trocar a correria pela simplicidade.
O que devolve: tranquilidade e conexão com a natureza.

Foto: MICHELIN Guide
03 • Botanique Hotel Experience, na Serra da Mantiqueira (SP)
Minha escolha para trocar o mar pela montanha. Mata Atlântica, silêncio, boa mesa e bem-estar a duas horas e meia da capital. É o lugar para caminhar, dormir melhor e reduzir estímulos.
O que devolve: desaceleração e clareza mental.
Uma semana para o corpo lembrar o ritmo certo
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