Imagem: Sotheby's | Divulgação

Em 18 de setembro, um Cartier Cheich em ouro branco foi arrematado por cerca de US$ 3,4 milhões na Sotheby's de Hong Kong. Nove minutos de disputa, lances presenciais, por telefone e online. Virou o Cartier de pulso mais caro já vendido em leilão e, de quebra, o relógio a quartzo mais caro da história.

Não tem tourbillon, calendário perpétuo ou cronógrafo. Tem 38 mm, movimento a pilha e uma caixa com formato de cabeça envolta num turbante. Cheich, em francês, é o lenço dos tuaregues, povo nômade do Saara. O que se pagou ali foi história e escassez, não a engenharia da peça.

A história

Em 1983, a Cartier lançou um desafio dentro do Paris-Dakar: quem vencesse o rali duas vezes seguidas ganharia um relógio feito só para isso. O belga Gaston Rahier venceu em 1984 e 1985 de moto, pela BMW, e levou o Cheich.

O de ouro branco é o quinto, e nunca viu o deserto. Foi encomendado em 2010 por Giorgio Seragnoli, herdeiro de uma dinastia italiana de embalagens que chegou a ter a maior coleção de Cartier do mundo, comprou um time de basquete e uma fatia da Ducati, e no fim gastou até a própria fortuna. A coleção se dispersou. O Cheich reapareceu agora.

Será que vale tudo isso?

É aquela coisa: se pagaram, vale. Mas até quanto? A Sotheby's estimou entre US$ 1 e 5 milhões, uma faixa tão larga que mostra que talvez nem eles saibam o valor.

O mercado respondeu no meio dessa faixa: o triplo do Cheich original, que tem a história de verdade, e US$ 1,4 milhão acima do London Crash de 1990, que era o recorde da marca desde maio. Foi a terceira vez em cinco meses que um Cartier bateu o próprio recorde.

Esses números mostram que o desenho e a raridade importam mais do que o que acontece dentro da caixa. O preço chega ao que alguém está disposto a pagar para ser o único.