Foto: Firenze Yes Please

Sandro Fratini passou mais de 40 anos garimpando relógios vintage pelo mundo. Hoje são mais de 2.000 peças, avaliadas em € 1 bilhão.

Nascido em Florença, Sandro ganhou seu primeiro relógio aos 8 anos, na primeira comunhão. Um Longines de aço,presente da avó, que também deu os primeiros relógios da coleção.

Seu pai, Giulio Fratini, fundou a Rifle, marca pioneira de jeans na Toscana, que trouxe o jeans americano pra Europa nos anos 1950.

Antes dos 20 Sandro já tinha Patek, Rolex, Cartier e Vacheron. Quando virou sócio da Rifle, passou a rodar o mundo aumentando sua coleção.

Sua regra sempre foi: não siga o mercado, siga o coração. Ele prefere relógio com marca do tempo do que relógio polido. Só não deixa o tempo passar por eles no próprio pulso.

O que tem no cofre

Das 2.000 peças, 600 estão no livro sobre a coleção publicado pela Christie's, uma das casas de leilões de obras de arte e artigos de luxo mais tradicionais do mundo.

Para te dar uma ideia, essas são algumas das peças mais exclusivas:

À esquerda, o Patek Philippe 1518 de aço (Foto: Phillips, via Perpetual Passion); à direita, o Rolex 4113 Rattrapante (Foto: Phillips, via Horobox). O terceiro Patek é peça única e não tem foto pública.

  • 2x Patek Philippe 1518 em aço. Só existem quatro conhecidos no mundo, e um deles foi vendido por mais de US$ 11 milhões em leilão. Dois deles estão com Fratini.

  • 2x Rolex Rattrapante. O cronógrafo de fração de segundo mais raro da marca. Nas palavras dele, "só existem 12 no mundo, e eu tenho dois".

  • 1x Patek de ouro amarelo com mostrador preto, feito nos anos 1940 para uma joalheria de Caracas. É o favorito dele, porque nunca viu outro igual.

O Daytona aparece em 50 variações no livro. Todas espremidas em duas páginas.

A coleção virou hotel

Fratini e a esposa, Antonella, transformaram a obsessão em hotel. Nos L'Orologio, em Florença, Veneza e Roma, cada andar homenageia uma marca, e cada quarto um modelo.

As maçanetas têm formato de ponteiro. A torneira, de coroa de dar corda. Os relógios de verdade seguem trancados em cofres de banco, e a única forma de ver algumas delas é no livro da Christie's.

O hotel é a homenagem que Fratini decidiu deixar aberta ao público, e fica de frente para a igreja Santa Maria Novella, no centro de Florença.

A pergunta que fica

Colecionar é uma coisa. Acumular é outra. Uma coleção de € 1 bilhão que ninguém usa nem vende só se realiza na próxima geração, e vai ser ela que decide se usa ou se vende. E você, compra para usar ou para guardar?


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