Toda vez que sai um ranking desses, acontece a mesma coisa. Alguém manda no grupo, meia dúzia comenta “precisamos ir”, e ninguém reserva. Esta semana foi a vez da lista de 51 a 100 do 50 Best Restaurants 2026, e vale olhar com calma, porque esse prêmio não mede o que você imagina.

O Michelin manda inspetores anônimos avaliar a comida. O 50 Best nasce do voto de mais de 1.100 chefs, críticos e viajantes, e eles votam na noite inteira. A pergunta não é “qual cozinha é mais técnica”, é “onde eu voltaria”. Os dois paulistanos da lista provam isso de jeitos diferentes.

Nelita, 54º: a casa que entrou sem estrela

Imagem: 50 Best | Reprodução

O Nelita foi o único restaurante novo da América do Sul em toda a lista, e tem um detalhe que resume o prêmio. Ele não tem estrela Michelin. No guia de 2026, é “favorito do inspetor”. O que colocou a casa entre as 100 melhores do mundo não foi o prato sozinho. Foi o jeito de receber.

Tássia Magalhães comanda uma cozinha inteiramente feminina em 36 lugares no Baixo Pinheiros, com bancada de mármore de frente para o fogão. A ideia desde o início era alta gastronomia sem cerimônia, e isso continua.

Dá para pedir à la carte, coisa rara nesse tipo de lista, ou ir de menu de seis ou 11 tempos (R$ 790). A cozinha tem sotaque italiano e a carta de vinhos é quase toda brasileira. É o lugar para aquela quinta-feira em que a conversa importa mais que o cardápio, com a sua mulher ou com o sócio com quem você precisa colocar a conversa em dia.

Evvai, 68º: a noite que é o programa inteiro

Imagem: 50 Best | Reprodução

O Evvai subiu 27 posições em um ano, do 95º para o 68º, seis meses depois de virar um dos dois únicos três estrelas Michelin da América Latina.

Nos Jardins, Luiz Filipe Souza faz o caminho oposto ao do Nelita. O menu Oriundi tem 14 tempos, conta a história dos italianos que vieram para o Brasil e leva quase quatro horas. Cada prato chega com um cartão explicando de onde veio. Tem uma moqueca inteiramente branca, sem dendê e com o gosto intacto.

Não é jantar para resolver assunto. O assunto é o próprio jantar. O menu custa R$ 1.150, antes do vinho, e quem reserva precisa reservar a noite inteira. Vai bem num aniversário, num fechamento de negócio ou quando você quer que a pessoa do outro lado perceba que o programa foi pensado para ela.

O que falta descobrir

Em 2025, o Brasil tinha cinco restaurantes no top 100. O Lasai, do Rio, ficou em 28º e não aparece na lista estendida, o que era esperado, porque quem está no top 50 não entra nela. Já Tuju, Oteque e A Casa do Porco estavam entre 51 e 100 em 2025 e sumiram dessa faixa. Ou subiram, ou saíram. A resposta chega dia 4 de novembro.

Até lá, fica a provocação. Dois dos 100 melhores restaurantes do mundo ficam a vinte minutos da sua casa. Quando foi a última vez que você reservou um jantar especial para alguém de quem você gosta?

Antes da mesa existe a fila

Depois de todo prêmio, a agenda desses lugares costuma fechar rápido. Sua Lifestyle Manager garante a reserva no Nelita ou no Evvai, e o blindado deixa vocês na porta e busca no fim da noite.