O que é alto padrão… e onde começa o luxo?

Passei a semana refletindo sobre duas expressões que frequentemente são tratadas como sinônimos: alto padrão e luxo.

Existe uma tendência de associar o mais caro ao mais exclusivo. Mas o preço, por si só, não determina a qualidade de uma experiência, muito menos o seu significado.

Existem lugares caros que não sabem receber. Serviços exclusivos que não sabem servir. E experiências impecáveis na aparência, mas incapazes de despertar qualquer sentimento.

O alto padrão está naquilo que se entrega. O luxo está naquilo que se torna insubstituível.

É o garçom que entende o ritmo da mesa antes que alguém precise levantar a mão. A reserva no restaurante mais disputado da cidade, onde você é recebido como se estivesse em casa. O motorista esperando na saída, sem que você precise se preocupar com o próximo passo.

Tudo acontece com naturalidade. Existe uma operação complexa nos bastidores para que a sua experiência seja simples.

Mas há uma diferença importante: o alto padrão pode ser avaliado pela qualidade do que é entregue. O luxo também depende de quem recebe.

Para alguns, luxo é exclusividade. Para outros, privacidade. Pode ser uma experiência extraordinária ou simplesmente a liberdade de aproveitar o próprio tempo.

O que emociona uma pessoa pode não significar absolutamente nada para outra.

O luxo é relativo na percepção, mas não pode ser relativo na execução.

Talvez o maior equívoco seja acreditar que o dinheiro, sozinho, seja capaz de comprar sofisticação. Ele pode garantir acesso, mas não necessariamente uma experiência memorável.

Por muito tempo, essa conversa ficou restrita a um grupo pequeno, que frequentemente confunde preço com valor.

O Jornal da Blend existe para ampliar essa discussão. Para quem já vive esse universo e para quem deseja compreendê-lo. Porque entender o luxo também é desenvolver repertório para reconhecer aquilo que realmente importa.

Qual foi a última vez que saiu de um lugar pensando: “Isso aqui mexeu comigo”?

Diego Custódio

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Na edição de hoje:
— Fomos ao 20º melhor bar do mundo para ver se ele sustenta a própria fama
— As Cataratas do Iguaçu fecham às 17h para todo mundo, menos para você
— Pela primeira vez, a Omega deixa você usar o relógio do vilão

Uma escolha contemporânea, minimalista e sem excessos. A trilha acompanha uma reflexão sobre o conhecimento para ter repertório de escolha. Porque, nesta edição, o luxo não é sobre valor, é sobre memórias e sentimentos.

Fomos ao 20º melhor bar do mundo para ver se ele sustenta a própria fama

O Exímia fica no segundo andar do restaurante Locale, no Itaim Bibi, e monta sua carta de drinks em cima de ingredientes brasileiros.

Fotos: Exímia, Blend2

O Exímia foi eleito o 20º melhor bar do mundo na lista de 2026 do The World's 50 Best Bars. É uma responsabilidade e tanto, porque quem vai até lá já chega com a expectativa lá em cima.

Em 2025, o Exímia estreou na lista estendida, na 61ª posição. Em 2026, entrou no top 20, com apenas dois anos de casa. Decidimos ir para ver se a experiência corresponde.

O ranking destaca o conceito de brasilidade do bartender Márcio Silva, que refaz a coquetelaria clássica com a biodiversidade do país. Cascas de madeiras nativas, como a amburana, entram em infusões, e polpas de frutas como o cambuci passam por clarificação, técnica que filtra o líquido até ele ficar translúcido e leve.

Atrás da cortina verde

Dentro do Locale, no Itaim Bibi, uma cortina verde esconde a escada que leva ao segundo andar. Ao subir, você chega a um mezanino com paredes de vidro que dão vista para o primeiro andar.

São poucas mesas, a luz é baixa e o ambiente é bem intimista. É um lugar ideal para dates. Nossa recomendação é ir em casal ou, no máximo, em dois casais.

Na hora de escolher a mesa, prefira as que ficam longe da caixa de som. Perto dela, as músicas brasileiras e latinas podem ficar um pouco altas e atrapalhar a conversa.

A carta de drinks

Dos 17 drinks da carta, 4 não estavam disponíveis na nossa visita. A explicação da equipe foi que parte deles vai mudar nos próximos meses.

O lugar que permite a maior imersão é a bancada do bar. É lá que você conversa com o bartender, explica seus gostos e entende quais drinks vão agradar mais o seu paladar. Todos que nos atenderam sabiam explicar cada drink com bastante profundidade.

Até pelo DNA brasileiro da casa, os drinks puxam mais para o frutado, daqueles que você bebe e nem parece que têm álcool. Para quem prefere algo mais cítrico ou menos doce, vale perguntar à equipe a proposta de cada um para pedir a recomendação certa.

Alguns dos que provamos:

  • XOLOTL. A casa tem patrocínio da Ballena, o licor cremoso de tequila com morango, que entra em vários drinks. Mas não espere aquele drink com aspecto de iogurte. O Ballena passa por clarificação e perde a textura densa. Dos frutados, é um dos drinks menos doces que provamos.

  • AMERÍNDIO. O primeiro do cardápio, e um dos mais pedidos. Leva pau-brasil na composição, o que pode não ser tão óbvio no paladar, mas não dá para negar que é bem brasileiro. Lembra uma releitura de um Mojito.

  • MYNAMEIS. Outro dos mais pedidos, estampou a maioria das matérias que você pode ter visto sobre o Exímia e está na foto acima também. É bem gostoso, mais puxado para o frutado.

  • KAKAU. Se o Negroni e o Boulevardier (a versão com bourbon no lugar do gim) tivessem um filho, seria ele. Tem um toque intenso de cacau, que é a cereja do bolo.

Aqui tem a carta de drinks, se quiser dar uma olhada. O preço de todos os drinks fica entre R$ 53 e R$ 57. A única exceção é o ODISSÉIA, feito com Blue Label, que sai por R$ 75.

Para comer

O foco da casa são os drinks, mas o cardápio traz algumas opções do próprio Locale. Nossa recomendação é o carpaccio e uma pizza cortada como petisco, para beliscar entre um gole e outro. Embora tenha poucos pratos, dá para jantar ali tranquilo. Outra opção é comer no próprio Locale e subir para finalizar a noite com alguns drinks, mas depois das 21h ou 22h costuma ter fila de espera.

Vale o hype?

Vale ir para conhecer. Os drinks autorais têm propostas bem únicas e merecem pelo menos uma visita, naquele dia estressante em que você só quer relaxar no fim da noite e beber um drink com sua mulher. Só fique atento à questão dos frutados e doces. Se não for a sua preferência, converse com a equipe para garantir boas escolhas.

Sua noite no Exímia

Nossa Lifestyle Manager reserva a bancada, porque é lá que a experiência acontece, e o blindado te busca em casa para você provar a carta inteira sem pensar na volta.

As Cataratas do Iguaçu fecham às 17h para todo mundo, menos para você

O Hotel das Cataratas é o único dentro do Parque Nacional do Iguaçu e um dos dois no Brasil com Três Chaves Michelin. A diária é a parte mais barata da história.

Foto: Belmond / Reprodução

Em setembro, o Guia Michelin publicou a seleção de hotéis de 2026. São 2.832 hotéis com Chave no mundo, e só 155 chegam a Três Chaves, a nota máxima.

No Brasil, são só dois nesse patamar: o Rosewood São Paulo e o Hotel das Cataratas, da rede Belmond, em Foz do Iguaçu. Ambos receberam a nota máxima na primeira seleção brasileira, em 2025, e mantiveram em 2026.

A escala do guia vai de Uma Chave, para uma estadia muito especial, a Três, para uma extraordinária. Os inspetores entram anônimos e avaliam o serviço, a personalidade da casa e o quanto ela entrega pelo que cobra. Ser o mais caro não garante nada.

O que ninguém mais tem

O prédio, de 1958, tem 193 quartos e 15 suítes. Mas o que faz dele único fica do lado de fora. É o único hotel dentro do Parque Nacional do Iguaçu, e a trilha das cataratas começa do outro lado da rua.

O parque abre às 9h e fecha às 17h. Fora desse horário, as cataratas são exclusivas dos hóspedes. Você caminha até a Garganta do Diabo ao nascer do sol, sem ninguém na passarela, e volta ao entardecer, quando os ônibus já foram embora. Quem já fez a trilha com o parque lotado sabe o tamanho dessa diferença.

Entre uma caminhada e outra, o hotel organiza um piquenique ao pôr do sol no gramado e um voo de helicóptero de 10 ou 35 minutos por cima das quedas.

Quanto custa o que não se compra

A diária começa em torno de US$ 625 e passa de US$ 850 nos quartos Deluxe. Não muito diferente do que sairia uma noite nos melhores hotéis de São Paulo e do Rio.

O que você paga, na verdade, é a hora em que as cataratas são só suas. Isso nenhum ingresso vende. É a diferença entre o caro e o luxo, em uma trilha que fica a dois minutos do seu quarto. A energia desse lugar é absurda.

As cataratas sem fila, do voo ao roteiro

Sua Lifestyle Manager cuida da reserva, do voo até Foz e do traslado ao parque, e já deixa a trilha do nascer do sol combinada para o seu primeiro dia.

Pela primeira vez, a Omega deixa você usar o relógio do vilão

No Dia Global de James Bond, a marca lançou seis Seamaster divididos entre o espião e a Spectre, a organização criminosa dos filmes. E o do vilão é o mais discreto da coleção.

Imagem: Omega | Reprodução

A Omega é o relógio de James Bond há mais de 30 anos. Agora, ela fez algo inédito nessa parceria e colocou o herói e o vilão na mesma coleção.

São seis Seamaster Diver 300M, três dedicados a Bond e três à Spectre. O último relógio com esse nome tinha saído em 2015, junto com o filme. E a coleção chega antes mesmo de o mundo saber quem será o próximo 007.

Dois jeitos de usar o mesmo relógio

Imagem: Omega | Reprodução

O modelo de Bond tem mostrador azul, o brasão da família Bond no lugar do 12 e, no rotor, o cano de arma da abertura dos filmes. Quem conhece a saga reconhece de longe.

O da Spectre faz o caminho oposto. O mostrador é preto, granulado e sem nenhuma identificação. O polvo, símbolo da organização, aparece só no rotor, visível pelo fundo transparente da caixa. No pulso, ele passa por um Seamaster preto comum, e só o dono sabe de que lado está.

Quem conhece a saga entende a escolha. Nos filmes mais recentes, Bond descobre que os vilões que enfrentou ao longo dos anos trabalhavam, de um jeito ou de outro, para a Spectre. A organização nunca aparece logo de cara, e o relógio segue a mesma lógica.

O desenho dele vem do Seamaster lançado em 1993. Foi esse modelo que Pierce Brosnan usou em GoldenEye, de 1995, o primeiro filme em que James Bond aparece com um Omega no pulso.

Quanto custa escolher um lado

As duas versões em aço são edições especiais, sem limite de produção, por US$ 8.600 cada. Mesmo assim, dois dias depois do lançamento já estavam esgotadas na loja online.

Para colecionadores, há dois kits com 77 unidades numeradas cada:

Imagem: Omega | Reprodução

Cada kit, que sai por US$ 89.800, traz um relógio em aço e outro em liga de ouro e platina, com mostrador de ouro branco gravado, além de abotoaduras e acessórios.

O que ninguém vê no seu pulso

Por dentro, pouca coisa muda. A base é o Seamaster no date lançado em 2024. O valor está no símbolo e na escolha que ele obriga você a fazer.

Para quem quer ser reconhecido, o azul de Bond. Para quem quer algo mais discreto, o preto da Spectre. Mesmo preço, mesmo mecanismo. É a lógica do quiet luxury, que só reconhece quem entende. O luxo está no que ele significa só para você.

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