
Que desfrute
Em espanhol, quando uma pessoa se despede de alguém que vai jantar, viajar ou curtir alguma experiência, ela fala "que disfrute". A palavra também existe em português. Mas a forma como eles usam é mais forte do que simplesmente aproveitar ou curtir.
Desfrutar é estar 100% dentro do que você está vivendo.
Conheço muita gente que tem dinheiro para ir a qualquer lugar e parece que não está em lugar nenhum. Está no camarote pensando na reunião de segunda. Em um resort do Nordeste respondendo o grupo da empresa. No jantar olhando os e-mails entre uma garfada e outra.
E estar 100% no momento é muito difícil. Mas é justamente nesses momentos que temos a oportunidade de aproveitar tudo que estamos construindo.
Não é questão de desligar. Na verdade, é o contrário: é estar ligado no que está na sua frente. O som, os cheiros, a pessoa do outro lado da mesa.
Desfrutar, para mim, é isso. É a atenção que você consegue dar quando nada em volta pede a sua atenção. Um bom restaurante tira de você a preocupação com o serviço para você poder olhar para quem está com você. Um bom hotel resolve a logística para você poder olhar para o mar.
O lugar abre o espaço. O resto é com você. E aí, você tem estado presente em você?
Que desfrute,
Diego Custódio
Na edição de hoje:
— Será que as 3 estrelas Michelin do Tuju valem o hype?
— No Cirque du Soleil, quem mais impressiona não sai do chão
— Ainda dá tempo de ir atrás do sol do Nordeste no próximo feriado
— A Rolex arrecadou US$ 49 milhões numa noite e não ficou com um centavo

A música de hoje é a nossa homenagem ao Brasil de bom gosto, o mesmo do Tuju, onde quase tudo é genuinamente brasileiro. Aqui o solo é tão bom que floresce de tudo. Aperte o play.


Será que as 3 estrelas Michelin do Tuju valem o hype?
Em abril, o Tuju e o Evvai se tornaram os primeiros restaurantes da América Latina com três estrelas Michelin. Fomos ao Tuju descobrir se esse hype se sustenta num date ou num jantar entre amigos.

Imagens: Tuju / Blend2
Se você procura um lugar para um date com a sua esposa, ou para jantar e ter uma bela conversa entre amigos, o Tuju pode ser uma opção. Mas será que vale a pena? Fomos lá para descobrir. Antes de contar como foi, vale entender o peso das três estrelas Michelin que a casa carrega.
O mundo tem cerca de 161 restaurantes com 3 estrelas Michelin. A França tem 30, Tóquio sozinha tem 11. O Brasil tem dois. Ambos em São Paulo.
Mas o que essas estrelas significam?
Estar no Guia Michelin é ser recomendado. Ter estrela é passar pelo crivo de diferentes inspetores que vão ao restaurante como anônimos e pagam a conta normalmente.
Eles avaliam a comida por cinco critérios: qualidade dos ingredientes, domínio das técnicas, harmonia dos sabores, personalidade do chef expressa na cozinha e consistência ao longo do menu e entre diferentes visitas.
É isso que cada nível significa:
⭐ Cozinha de alta qualidade, "vale a parada"
⭐⭐ Cozinha excelente, "vale o desvio"
⭐⭐⭐ Cozinha excepcional, "vale uma viagem especial"
A experiência começa antes de você chegar
Antes do mundo físico, o Tuju já começa sofisticado no WhatsApp: "Olá, eu sou o fulano e serei seu anfitrião da noite. Algum pedido especial?". Anfitrião. A palavra pega. Na mesma conversa, já recomendam vir sem perfume forte, pois a cozinha é aberta.
Já na entrada, o logo do Tuju com as três estrelas Michelin logo abaixo. Aquela carteirada sutil, sem dizer nada. É aí que começa a experiência, dividida nos três andares:
Térreo
Um corredor de entrada que parece te espremer para te preparar para um pé-direito triplo. Antes dele, uma recepção que trata você pelo nome e um som ambiente bem brasileiro, com elementos de várias regiões do país.
Você senta no bistrô, observa a arquitetura e o verde invadindo aquele espaço, e sente a potência de tudo o que forma aquele lugar. A empolgação do que está por vir toma conta. É ali, com um drink e uns aperitivos, que o paladar começa a ser preparado.
Primeiro andar
Assim que a porta abre, a gente avistou o chef Ivan Ralston, como um maestro de orquestra regendo seus músicos. E eles, em silêncio, executando as partituras que estavam nas mesas: os pratos de cada cliente.
A cozinha tem três estações, e as mesas ficam ao redor delas. Não tem música ambiente. O som é só o fogo, a grelha, os pratos e as pinças ajeitando a comida. Você aprecia a comida sendo feita e a presença da sua companhia. Ninguém na cozinha troca uma palavra, e é ali que os 10 tempos do menu acontecem, com os dois últimos doces.
Rooftop
O jantar fecha lá em cima, com guloseimas da casa, um chá e a conta, bem afastado do primeiro andar, quase um ato de "aqui é só arte, não falamos de valor". No primeiro andar o time de serviço antecipa tudo, e quando você chega ao rooftop, ter que acenar para pedir mais um bombom parece até estranho. É esse o padrão a que a casa te acostuma em poucas horas.
Um ponto alto do Tuju é descobrir coisas do Brasil que você nem sonhava. O azeite é um dos melhores do mundo, os ingredientes são todos sazonais, e tem uma água com gás que a gente não sabia que existia. Os dois, brasileiros.
Sobre as bebidas, tem duas adegas incríveis, mas nossa escolha foram os drinks. De tão equilibrados, nada te agride, só te convida para o próximo.
Para quem é
Se você ama a excelência e gosta do 100% feito à mão, vale a pena ir em casal, com certeza. Dois casais, ótima opção. Até seis pessoas funciona, mas quatro é o número ideal, para que ninguém fique de costas para a orquestra. Óbvio que não é lugar para paladar infantil nem para quem quer jantar em uma hora.
O veredito
Ficamos 2h30 e o tempo passou sem a gente perceber. A equipe é quase toda bilíngue, coisa rara em São Paulo, e tem bastante gringo comendo lá.
As três estrelas dizem "vale uma viagem especial". A nossa resposta é que vale a viagem. Para desligar da semana a dois, não é exagero dizer que está entre as melhores opções do Brasil.
A arquitetura é encantadora, a playlist é boa e toda a equipe é atenciosa, focada no cliente. Todas as mesas são redondas, um convite à conversa. Em uma mesa de casal, deixam só as duas cadeiras, com um banquinho para a mulher apoiar a bolsa. Tudo feito para você.
Voltaríamos por tudo, só para viver aquele momento de novo. E sobre a comida, não tem nem o que descrever. As três estrelas já dizem tudo. O Tuju não é hype, é conceito. O mais alto nível da hospitalidade.
📍 Rua Frei Galvão, 135, Jardim Paulistano
💳 $$$$
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No Cirque du Soleil, quem mais impressiona não sai do chão
Alegría, o espetáculo mais icônico da companhia, está no Parque Villa-Lobos até 8 de novembro. E o que fica na cabeça depois do show é o som. Uma experiência que vale ir com a esposa ou em família.

Foto: Cirque du Soleil / Divulgação
Todo mundo vai ao Cirque du Soleil para ver o corpo humano fazendo o que parece impossível. Alegría entrega isso com 54 artistas de 25 países debaixo de uma tenda de 51 metros. É bonito de ver gente operando em alta performance.
Mas repare em outra coisa. Cada nota que você ouve está sendo tocada ali, ao vivo, por músicos que dividem o palco com os acrobatas. A trilha, indicada ao Grammy em 1995, é até hoje o álbum mais vendido do Cirque, e ela é feita à mão, na sua frente, enquanto alguém voa a dez metros do chão.
A música conduz o espetáculo. O salto acontece no tempo do tambor, e a queda no compasso da voz. Quem gosta de arte e se envolve com uma trilha feita à mão vendo o humano performar naquele nível não tem como não se encantar. Você sai de lá provocado.
O que você vai ver
Lançado em 1994, Alegría é a produção mais famosa da companhia canadense: 14 milhões de espectadores em 255 cidades. A versão em cartaz, In A New Light, é a releitura de 2019, com direção e números refeitos. Não é a montagem mais pesada do Cirque, mas é o clássico. Ideal para levar a mulher e o filho para ver pela primeira vez.
Sessões de quarta a domingo, até 8 de novembro. A área VIP tem os melhores assentos da arena. Vá pelo lugar, não pelos petiscos.
Tem um ditado que diz que quando morre a arte, morre a vida. Por duas horas debaixo da tenda, dá para entender por quê.
Para curtir o espetáculo sem preocupação
A Blend garante os lugares frontais da tenda e cuida da chegada e da saída do Villa-Lobos, com o blindado esperando na porta.


Ainda dá tempo de ir atrás do sol do Nordeste no próximo feriado
O Dia de Nossa Senhora Aparecida é na próxima segunda, dia 12. Três resorts a três horas de voo de SP para quem valoriza hospitalidade e ainda não decidiu onde ir para desligar.
Nos feriados prolongados, muita gente deixa a decisão para a última hora e acaba nos mesmos lugares de sempre. Para quem quer desligar em casal ou com a família e preza imersão e hospitalidade, fizemos a curadoria de três lugares:

Txai, Itacaré (Bahia). São 38 bangalôs espalhados por 92 hectares de uma antiga fazenda de cacau, dentro de uma área de proteção de Mata Atlântica, de frente para os 3,5 km da praia de Itacarezinho, onde o acesso é exclusivo e o resort reina praticamente sozinho. O spa fica no ponto mais alto do terreno, com piscina aquecida de frente para o mar, e o passeio que ninguém esquece é provar cacau direto do pé na fazenda vizinha. É o lugar para casal que quer privacidade. Tem heliponto.

Makena, Icaraizinho de Amontada (Ceará). Icaraizinho é o que chamam de "a Jericoacoara de antigamente". Vila de rua de paralelepípedo, pôr do sol na duna e quase nenhum turista. O Makena é um hotel-boutique que é praticamente um antídoto contra o estresse, com um dos rooftops mais bonitos do litoral cearense. O que faz a diferença são os passeios que o próprio hotel organiza, guiados por parceiros locais, para a Lagoa de Flexeiras e para a vila de Moitas pelo rio Aracatiaçu. Para quem quer sumir do radar e ter gente cuidando de cada dia.

Nannai, Muro Alto (Pernambuco). Os 49 bangalôs sobre a água foram inspirados nos da Polinésia, e todos têm piscina privativa, alguns com a piscina entrando pela sala. Na frente, a praia de Muro Alto é um arrecife de três metros que forma uma piscina natural de água morna, praticamente privativa do resort. O restaurante serve receitas de família, e o complexo de piscinas tem 6 mil m² para as crianças se perderem. É a opção para ir com a família inteira e cada um ter o seu canto, a 54 km do aeroporto do Recife.
Saindo de São Paulo, são cerca de 3h de voo até qualquer um deles. O resto do caminho a gente resolve, para você relaxar no feriado.
O resort certo, com tudo resolvido até lá
Checamos hoje e, para a Blend, as três opções ainda têm quartos disponíveis para o feriado. Nossa Lifestyle Manager cuida de toda a logística de ponta a ponta, do aeroporto ao bangalô. Deixa que a gente resolve tudo para você.


A Rolex arrecadou US$ 49 milhões numa noite e não ficou com um centavo
Quatro Daytonas únicos foram leiloados em Londres, no maior leilão beneficente de relógios da história. Mas a principal marca de relógios do mundo não tem dono, e essa notícia mostra um lado da Rolex que pouca gente conhece.

Imagem: Phillips / Reprodução
Em 28 de setembro, a Phillips, tradicional casa de leilões de Londres, leiloou quatro Cosmograph Daytona feitos para a ocasião, cada um inspirado em uma estação do ano.
Segundo a plataforma de relojoaria Hodinkee, o plano da Rolex era vender os quatro como um conjunto, em negociação privada, por cerca de US$ 5 milhões.
Mas quando a marca mostrou os relógios a alguns clientes VIP em abril, mais de mil quiseram comprar. Em vez de oferecer todos a um só, a Rolex decidiu dividir em quatro lotes e fazer o primeiro leilão beneficente de sua história.
Primavera (US$ 9M): ouro branco, mostrador de crisoprásio, contadores de lepidolita e safiras roxas no bezel.
Verão (US$ 13,7M): ouro Everose, mostrador de turquesa, contadores de rubi e safiras rosa no bezel.
Outono (US$ 13,5M): ouro amarelo, mostrador de mookaite, contadores de crisoprásio e turmalinas verdes no bezel.
Inverno (US$ 13,2M): platina, mostrador de opala azul, contadores de lápis-lazúli e safiras do azul ao fúcsia no bezel.
O resultado foi de US$ 49,4 milhões, 10x mais do que o esperado inicialmente. Esse valor todo foi doado para a fundação do Roger Federer e para a Re:wild, de Leonardo DiCaprio, cerca de US$ 24,7 milhões para cada uma. E é aqui que entra a parte mais interessante dessa história…
Quem é a dona da Rolex
Hans Wilsdorf abriu a empresa em Londres, em 1905, e mudou para Genebra em 1919 por causa dos impostos ingleses sobre ouro e prata. Em 1944, sua mulher morreu. Eles não tinham filhos. No ano seguinte, Wilsdorf criou a Fundação Hans Wilsdorf, e quando ele morreu, em 1960, todas as ações da Rolex foram para ela.
Desde então, a maior marca de relógios do mundo pertence a uma fundação de utilidade pública de Genebra. Não tem acionista. A empresa nunca divulgou o faturamento, mas as estimativas são na casa dos US$ 14 bilhões por ano. O lucro que sobra, depois de reinvestir na fábrica, vai para a fundação, que financia arte, pesquisa e projetos sociais.
Ao contrário do que muita gente pensa, isso não é uma questão de planejamento tributário. A Rolex paga imposto como qualquer empresa, e a fundação, que teria direito à isenção, abriu mão dela em 2020 e hoje recolhe mais de US$ 90 milhões por ano.
Os oito conselheiros são bem pagos, mas só um deles é parente distante de Wilsdorf, e a lei suíça proíbe desde 2006 que a família receba qualquer coisa. A fundação distribui mais de US$ 600 milhões por ano, que viram bolsa de estudo, hospital e cinema restaurado em Genebra.
Se você tem um Daytona no cofre, infelizmente esses preços não mudam nada no valor da sua peça. Ela continua valendo o que valia na semana passada. Mas pensa pelo lado bom: ele continua sendo um Daytona.


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